quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Relevância da Educação do Campo


Boa parte da economia do Brasil depende do desenvolvimento do campo. São os agricultores que plantam, colhem e cuidam de matérias-primas que nos servirão de alimento, base para as roupas e muitos outros itens que utilizamos em nosso dia a dia. Para tanto, esses trabalhadores, em sua maioria, além de trabalhar moram nas zonas rurais das cidades, constituindo as sociedades rurais.
Tendo escola e educação no próprio campo, os trabalhadores rurais são estimulados a continuarem o seu trabalho com a terra, fortalecendo a economia agrícola de sua região e de todo o país. Eles então, não precisam enfrentar longos e difíceis caminhos para que a educação chegue até eles.
Nosso país é o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia. Entre 2000 e 2008 as exportações agrícolas do Brasil cresceram 18,6% em média, por ano, e são vários os fatores que garantiram- e garantem- esse crescimento: recursos naturais abundantes(solo, água), diversidade de produtos, aumento da demanda de países asiáticos e crescimento da produtividade das lavouras.
O reconhecimento de que as pessoas que vivem no campo têm direito a uma educação diferenciada daquela oferecida a quem vive nas cidades é recente e inovador, e ganhou força a partir da instituição, pelo Conselho Nacional de Educação, das Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Esse reconhecimento extrapola a noção de espaço geográfico e compreende as necessidades culturais, os direitos sociais e a formação integral desses indivíduos.
Em 1998, foi criada a “Articulação Nacional por uma Educação do Campo”, entidade supra organizacional que passou a promover e gerir as ações conjuntas pela escolarização dos povos do campo em nível nacional. Dentre as conquistas alcançadas por essa Articulação estão a realização de duas Conferências Nacionais por uma Educação Básica do Campo - em 1998 e 2004, a instituição pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) das Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, em 2002; e a instituição do Grupo Permanente de Trabalho de Educação do Campo (GPT), em 2003.
Para se conceber uma educação a partir do campo e para o campo, é necessário mobilizar e colocar em cheque ideias e conceitos há muito estabelecidos pelo senso comum. Mais do que isso, é preciso desconstruir paradigmas, preconceitos e injustiças, a fim de reverter as desigualdades educacionais, historicamente construídas, entre campo e cidade.
Contudo, não podemos esquecer que essa expansão não se sustenta se for entendida apenas como ampliação do número de escolas, sendo mantidas as atuais condições pedagógicas e de infraestrutura. Também não podemos incorrer no equívoco de tentar transpor para o campo o modelo de escola que predomina nas cidades. É preciso garantir uma proposta de organização do trabalho pedagógico, de formação do professor e de organização curricular que seja do campo, para o campo e no campo.